Desvios 2014

Instalação no LabMIS Residência em Fotografia
Pigmento mineral s/ papel algodão, vídeo e madeira
180 x 200 x 35cm
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Installation in LabMIS Photography Residency
Mineral pigment on cotton paper, video and wood
180 x 200 x 35cm



A instalação intitulada Desvios foi dessenvolvida durante a Residência Artística no LabMIS Fotografia, do Museu da Imagem e do Som de São Paulo (2013-2014). O projeto inicial tinha como premissa a investigação de uma Paisagem em Distensão, termo este que busquei desenvolver sem uma proposta de conclusão pontual. Tendo em vista a amplitude e territórios desconhecidos que abrangem a noção de paisagem.

O verbo distender, aqui, não possui somente o sentido de ampliação/extensão, mas contém em si os seus opostos: contração/redução. Nesta perspectiva, a ideia de paisagem em distensão abrange as singularidades dos movimentos possíveis: ampliar/estender/estirar – reduzir/contrair/afrouxar. O caráter de movimento atrela-se tanto ao gênero paisagem – com as ampliações e reduções de seus valores culturais já estabelecidos – quanto a forma híbrida entre fotografia e pintura – com suas contrações e extensões.

Buscando um ponto intermediário entre a trama fotográfica e o espaço pictórico de representação, procurei entrelaçar formas e contextos poéticos que possam afetar e ampliar a relação paisagem – meio – percepção. A atividade pictórica se confunde as paisagens produzidas pelo dispositivo fotográfico, que por momentos é reproduzida mecanicamente e, em outros casos, executadas manualmente para serem apresentadas como fotografias. Mais do que a comparação mimética e realista que podem entrelaçar os meios, é encontrar o hibridismo das formas e a diluição de suas especificidades, que potencializem o discurso ou objeto retratado.

No diálogo com a distensão das linguagens, a paisagem também se movimenta, ampliando e construindo uma relação com o outro diante do contexto ficcional. Na imagem, a presença (ou ausência) da figura humana força-nos ainda a um ponto de vista, a um modo de inserir-se no espaço. Nestes trabalhos em específico, o gênero paisagem assume este deslocamento do olhar pelo viés da contemplação, onde o vazio e silêncio incita-nos ao (re)posicionamento na relação com o mundo.
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The installation entitled Desvios was developed during the Artistic Residence at LabMIS Photography, at the São Paulo Museum of Image and Sound (2013-2014). The initial project had as its premise the investigation of a Landscape in Distension, a term that I tried to develop without a proposal of punctual conclusion, considering the breadth and unknown territories that cover the notion of landscape.

The verb distender (to distend), here, has not only the sense of enlargement / extension, but contains in itself its opposites: contraction / reduction. In this perspective, the idea of ​​landscape in distension encompasses the singularities of possible movements: extend / extend / stretch - reduce / contract / loosen. The character of movement attaches so much to the landscape genre - with the enlargements and reductions of its already established cultural values ​​- as the hybrid form of photography and painting - with its contractions and extensions.

Searching for an intermediate point between the photographic plot and the pictorial space of representation, I tried to interweave poetic forms and contexts that could affect and amplify the landscape - medium - perception relation. The pictorial activity intertwines with the landscapes produced by the photographic device, which at times is reproduced mechanically and, in other cases, executed manually to be presented as photographs. More than the mimetic and realistic comparison that can interweave the means, is to find the hybridism of the forms and the dilution of its specificities, that potentiate the speech or object portrayed.

In the dialogue with the distension of languages, the landscape also moves, expanding and building a relationship with the other in the face of the fictional context. In the image, the presence (or absence) of the human figure forces us still to a point of view, to a way of inserting itself in the space. In these specific works, the landscape genre assumes this displacement of the gaze through the bias of contemplation, where emptiness and silence incites us to (re) positioning in relation to the world.





Desvios 2014

Detalhe das provas de impressão
Pigmento s/ papel Awagami KOZO 70g/m2
Ateliê 321 (SP) - Junho 2014

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Detail of print proofs
Pigment on paper Awagami KOZO 70g / m2
Atelier 321 (SP) - June 2014





Desvios 2014

Detalhe da instalação no LabMIS Fotografia
Pigmento mineral s/ papel algodão, vídeo e madeira
180 x 200 x 35cm

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Installation detail in LabMIS Photography
Mineral pigment on cotton paper, video and wood
180 x 200 x 35cm





Passeio #4 2014

Detalhe da instalação Desvios no LabMIS Fotografia
Pigmento sobre papel Awagami KOZO 70g/m2
15 x 20 cm
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Installation detail in LabMIS Photography
Pigment on paper Awagami KOZO 70 g/m2
15 x 20 cm



 

LUGARES. A paisagem nunca se realiza sem um olhar que delimite uma fração de mundo. É portanto um lugar que depende de um gesto. Essa paisagem se compõe a partir de um contralugar que chamamos de ponto de vista, a partir de onde o espaço é organizado, colocado em perspectiva. É insuficiente pensar que o olhar ocupa esse ponto de modo estático, tanto quanto é um engano supor que a imagem fotográfica se realiza num instante. É preciso ajustar o vocabulário: o espaço é um território físico. Ele se torna um lugar quando um sentido se projeta sobre ele, quando se torna um território simbólico. Uma vez recortado, o espaço permanece lá. O sentido não. Porque o lugar a partir de onde a imagem é pensada é sempre um processo que está aquém e além daquele instante da tomada. Então, o ponto de vista se desdobra em trajeto. Como um ponto cardeal, uma referência que nunca se situa no lugar em que se está, é sempre uma direção a seguir. O lugar é esse espaço perturbado pela instabilidade do gesto que lhe atribui um sentido.

Extrato do texto do catálogo da exposição Sobre lugares e gestos | Maio da Fotografia do MIS 2014.

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"PLACES. The landscape is never realized without a look that delimits a fraction of the world. It is therefore a place that depends on a gesture. This landscape is composed of a counter-place that we call a point of view, from where space is organized, placed in perspective. It is insufficient to think that the eye occupies this point in a static way, as much as it is a mistake to suppose that the photographic image is realized in an instant. It is necessary to adjust the vocabulary: space is a physical territory. It becomes a place when a sense is projected onto it, when it becomes a symbolic territory. Once trimmed, the space remains there. The meaning not. Because the place from where the image is thought is always a process that falls short and beyond that instant of taking. Then the point of view unfolds on the way. As a cardinal point, a reference that never lies where you are, is always a direction to follow. The place is this space disturbed by the instability of the gesture that gives it a meaning."


Extract from the exhibition catalog Sobre lugares e gestos | May of the Photography of MIS 2014.






Refúgio 2013-2014

Video | 2’31” | estereo | cor | 16:9 | loop
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Video | 2’31” | stereo | color | 16:9 | loop





AH117 2014

Detalhe da instalação
Pigmento mineral s/ papel algodão W. Turner 310 g/m2
60 x 90 cm
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Installation detail
Mineral pigment on ctton paper W. Turner 310 g/m2
60 x 90 cm