A prática de Hurpia se desenvolve a pé, empregando a caminhada como metodologia para pesquisa fenomenológica pós-humana — um meio de desestabilizar o aparentemente reconhecível, situando o corpo em um mundo de forças co-constitutivas. Aqui, o caminhante não é um observador distante, mas um participante em um ambiente repleto de agência não humana, onde a própria percepção se torna um evento produzido entre atores humanos e mais-que-humanos. Essas investigações itinerantes dão origem às suas estruturas invisíveis, ferramentas especulativas e rituais divinatórios, cada um sondando o espaço liminar entre o que é sentido e o que permanece imperceptível.
Para ele, Caminhar é uma forma de especulação incorporada. É um processo de construção de narrativas e sistemas que se desfazem quando confrontados com as estruturas empíricas do mapa, do laboratório ou do arquivo, revelando o atrito entre a certeza científica e o enigmático desconhecido. Ao traçar rotas que reimaginam instrumentos projetados para medir fenômenos naturais: anomalias geofísicas, deslizamentos de terra, ondas sonoras ou correntes telúricas - ele explora momentos em que o imperceptível irrompe na superfície da consciência humana, frequentemente por meio de encontros corporais viscerais ou convulsões ambientais. O próprio chão sob seus pés torna-se tanto sujeito quanto colaborador.
Essas investigações de longa duração questionam as dicotomias que estruturam nossa compreensão da realidade: fato e ficção, material e mito, observação e imaginação. O ritmo da caminhada torna-se uma ferramenta para dissolver essas fronteiras, permitindo um estado de receptividade aguçada onde as próprias histórias, trajetórias e futuros especulativos da paisagem podem emergir.
Seu trabalho prospera nessa ambiguidade percorrida, rejeitando conclusões definitivas para, em vez disso, amplificar a tensão entre o quantificável e o conjectural. As peças resultantes permanecem deliberadamente sem resolução, carregando o resíduo do caminho e as questões encontradas ao longo dele. Ao desestabilizar fronteiras entre o eu e o mundo, o caminho e o mapa, o conhecido e o sentido - ele convida os espectadores a se tornarem companheiros de jornada, confrontando a fragilidade de suas próprias estruturas interpretativas. A obra, portanto, implica o público na construção de significado - um ato colaborativo de refazer o percurso, questionando o que
é conhecido, presumido ou imaginado.